Setor da panificação em Minas Gerais espera crescimento em 2018

As expectativas dos empresários da panificação em Minas Gerais são as melhores para o ano de 2018. O cenário começou a melhorar em 2017, quando a economia começou a se movimentar para a retomada do crescimento do país. “Foi o ano em que o movimento positivo do segmento industrial trouxe de volta a esperança de dias melhores. No setor de panificação e confeitaria não foi diferente”, afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), José Batista de Oliveira.

Segundo levantamento realizado pela Abip, em parceria com o Instituto Tecnológico de Panificação e Confeitaria (ITPC), com cerca de 400 empresas de 19 estados do país, de diferentes portes e modelos de atuação, o setor de panificação apresentou melhora em 2017, após quatro anos de crise, e faturou R$ 90,3 bilhões, o que representa um aumento nominal de 3,2% em relação a 2016. “O faturamento percentual acima da inflação, a retomada de fluxo de clientes e o aumento do tíquete médio representaram, mais uma vez, a relevância e força do segmento”, destaca Batista, que também lidera o Sindicato da Indústria de Panificação de Minas Gerais (SIP), entidade que compõe a Amipão entidade representativa do setor em Minas Gerais.

A pesquisa verificou também que as padarias continuaram apostando na produção própria para a sobrevivência no mercado, o que puxou o crescimento do setor, embora num índice menor que o registrado em 2016 (5,4% em 2017, contrastando com os 11,2% apurados em 2016. Por outro lado, a revenda caiu 0,7% no período.

Nas empresas pesquisadas, as vendas de produção própria representaram 64% do volume de faturamento, ou R$ 57,79 bilhões, enquanto os itens de revenda foram responsáveis por 36% do faturamento (equivalentes a R$ 32,5 bilhões), números próximos aos registrados em 2016, como mostra o gráfico a seguir.

Maior fluxo de clientes, mais vendas e mais empregos

Em 2017, as empresas pesquisadas registraram um aumento no fluxo de clientes de 1,36%, depois de alguns anos de queda nesse índice. Das quase 400 empresas ouvidas, a pesquisa indicou que 57% delas tiveram aumento no número de clientes e 65% também registraram crescimento no tíquete médio, o que ajudou nos números positivos desses índices, embora o crescimento do tíquete médio tenha sido, no geral, menor que o de 2016.

Com mais clientes na loja e um cenário animador fizeram aumentar também o número médio de funcionários por padaria, que chegou a 12 por empresa. No geral, projeta-se que o segmento represente em torno de 800 mil empregos diretos e 1,8 milhão de forma indireta, nas cerca de 70 mil padarias e confeitarias existentes no Brasil.

Cenário futuro

Em 2018, ao que tudo indica, não será diferente e o setor projeta ainda mais crescimento e competitividade. Segundo a pesquisa, as indústrias de congelados, por exemplo, que vieram crescendo nos últimos 15 anos, permitiram uma ampliação do número de pontos de venda que vendem ou revendem produtos panificados e isso ampliou sobremaneira a concorrência para as padarias. “Mais pontos de venda significam maior oferta e opções para os consumidores, o que resultou numa pulverização do consumo. Os clientes não compram mais pão apenas nas padarias, há uma migração para outros canais de venda, como supermercados, lojas de conveniência, entre outros modelos”, destaca o dirigente.

“Será o ano divisor de águas. Política e economicamente estratégico para o país, espera-se que esse novo ciclo de meses traga renovação ao congresso e ao senado e, por consequência, a renovação da esperança dos empresários, cidadãos e população brasileira de forma geral”, afirma Batista.

Tendências Europain 2018

Lideranças do setor no Brasil e empresários participaram em fevereiro da Europain, feira de referência mundial do setor da panificação realizada na França. O presidente da Abip lista sete tendências europeias e mundiais no segmento.

Saudabilidade

A preocupação e a exigência da disponibilidade de produtos com altos índices de saudabilidade é uma realidade mundial. Na área de panificação e confeitaria pode-se elencar o uso de farinha de trigo orgânico; o abandono ao uso de corantes artificiais, substituindo-os por corantes extraídos de frutos, ervas e derivados naturais; os pães com excesso de grãos; além da ampliação do mix com produtos adequados as restrições alimentares (celíacos, vegetarianos e veganos, majoritariamente). “A regra é: quanto mais natural melhor, com menor quantidade de açucares e diminuição de produtos de origem animal”, destaca.

Eu mereço

O consumidor não quer que seu momento de prazer alimentar comprometa toda a rotina de alimentação saudável. Isso significa que o “eu mereço” permanece entre os principais gatilhos de venda, porém com nova roupagem. “Se anteriormente o consumidor buscava uma torta de chocolate ou confeitada como opção para o momento de compra, agora ele deseja que essa torta seja servida em fatias menores, porções suficientes para atender sua vontade mas sem deixar culpa. Se o produto tiver opção sem açúcar, diminuição de corantes e conservantes ou versão light, melhor ainda”, conta.

Massa madre

Os pães de fermentação longa, em especial os com uso de massa madre, lideram o mercado francês. Em conformidade com as demais tendências, esse tipo de produto se destaca por seu sabor característico, com fermentações levando até 40 horas. O resultado é um pão de alto valor agregado, mais saudável e agora agregado ao uso abundante de cereais. “Vale ressaltar que no mercado brasileiro há pré-misturas de qualidade, permitindo as padarias de qualquer capacidade produtiva obter pães de fermentação longa com grande qualidade”, destaca.

Modelos de negócio

Foi verificado sortimento e sofisticação para os variados momentos de compra. Na França, os negócios de panificação e confeitaria eram, tradicionalmente, um ambiente em que o consumidor encontrava produtos básicos. Agora, o modelo de loja francesa ganha espaço e mix de lanches, brunch, saladas embaladas e sanduiches para substituir a refeição do almoço. “Apesar de já estarmos habituados a esse modelo no Brasil, a mudança coloca em destaque o modelo que já adotamos há alguns anos, que é o de atender o cliente em seus variados momentos de compra, combinando padronização, eficiência operacional, mix variado de produtos (artesanais e revenda), frescor, qualidade e atendimento”, destaca.

Virtual

É crescente a demanda por aplicativos e canais de venda alternativos, em que o cliente possa escolher mais que produtos padronizados (como pães variados dentro do mix), mas ainda personalizar os produtos que deseja (montar sua pizza, sanduiche ou mesmo a compra de insumos, como queijo porcionado em gramas). Mas isso não significa que o cliente deixará de ir até o ponto de venda. “Mas para atendê-lo de forma ágil e mantendo os custos operacionais de mão de obra sob controle, a solução apresentada são as máquinas de pagamento autônomo, em que o próprio cliente paga as compras que fez, sem precisar de intermediadores”, conta.

Tecnologia

Equipamentos com proteção em acrílico, com sistemas de armamento e travas de segurança se destacam. “Também vimos as fatiadoras, com programações de segundo espessura e densidade dos produtos”, afirma.

Experiência

Slow food, participação social e transparência são tendências fortes para o setor. “O consumidor quer a resposta para “Como essa empresa se compromete e se envolve com a sociedade local?”. Prova disso é o crescimento de movimentos por parte de órgãos públicos e privados, como o Sebrae, que em 2016 lançou a campanha Compre do Pequeno; organizações setoriais como a ABIP que dentro do convênio e cooperação técnica com o Sebrae Nacional e o ITPC lançou o site “Vem pra padaria” e demais incentivos de empresas que buscam demonstrar ao consumidor sua responsabilidade com os indivíduos que se relacionam direta ou indiretamente com os processos produtivos e comerciais”, finaliza.

Fonte: Fiemg