Pão pode encarecer em até 20% com alta do dólar

Mesmo que você não tenha viagem internacional marcada nem tenha a intenção de comprar produtos importados, a alta do dólar também vai atingir o seu bolso. Isso ocorre porque boa parte dos produtos que os brasileiros consomem utilizam itens importados. Com a escalada da moeda americana, o repasse nos preços fica inevitável.

No ano, o dólar apresentava valorização perto de 12,8%, com a cotação batendo 3,78 reais. Com a intervenção mais forte do Banco Central (BC) nesta segunda-feira, a moeda abriu o pregão em queda, mesmo assim cotada a 3,70 reais.

Alimentos à base de trigo, como pão e massas, são alguns dos que sofrem o impacto direto da alta da moeda porque o país depende de importados para garantir o consumo interno. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (Abimapi), o Brasil consome cerca de 10 milhões de toneladas de trigo por ano, mas produz apenas metade disso. O restante é importado, especialmente da Argentina. Porém, neste ano houve quebra da safra do país vizinho e o produto está sendo comprado nos Estados Unidos e América do Norte, o que eleva ainda mais o custo, já que importações dentro do Mercosul têm isenção tributária.

“Não bastasse essa situação que já é complicada para o preço, agora temos o agravante da alta do dólar”, afirma o presidente-executivo da Abimapi, Cláudio Zanão. A estimativa, segundo ele, é que o pão e o macarrão fiquem cerca de 20% mais caro, enquanto que os biscoitos devem ter alta de 12% até o fim de junho. “Nos últimos 3 meses o trigo subiu quase 50%. Agora com o dólar valorizado o produto vai ficar ainda mais caro e a tendência é que o repasse para o consumidor, que já começou a ocorrer, se intensifique”, avalia Zanão.

Fonte: Veja