Padarias podem levar até 120 dias para recuperar prejuízo

Produtos como gás, ovos e farinha de trigo, essenciais nos processos de produção do setor de panificação, estão escassos no mercado, devido à greve dos caminhoneiros. As padarias da cidade já sentem o impacto do desabastecimento destes produtos, e o presidente do Sindicato da Panificação (Sindipan), Heveraldo Lima, diz que o setor pode levar até 120 dias para se recuperar do prejuízo financeiro após a crise de abastecimento. “Aquela venda que você não fez, não volta mais. E a despesa não para, ela é fixa. Tem o aluguel, os funcionários… O movimento está muito aquém, pois as escolas estão paradas, o serviço público também, as pessoas que vêm de cidades do entorno de Juiz de Fora também não estão vindo. A cidade está sendo muito impactada pela greve.” Ele calcula que, terminada a paralisação, as padarias podem levar até uma semana para retomar a produção regular. Heveraldo, que é dono da padaria Manchester, no Centro, disse que seu funcionário tentou buscar cinco botijões de gás de 13kg na tarde de ontem. Ele esteve em quatro lugares, mas não conseguiu. Além do gás, o empresário afirmou que faltava fermento biológico gelado na padaria. “Estou usando apenas o fermento seco, que é praticamente o dobro do preço.”

Diego Miranda, dono de uma padaria que existe há 25 anos no Bairro Santa Cruz, Zona Norte, conta que tentou estocar determinados produtos como farinha, ovos, queijos e misturas, mas precisou parar em determinado momento por conta da falta de oferta dos insumos. Ele ainda diz que o preço das matérias-primas aumentou substancialmente. “A farinha de trigo, que pagávamos R$ 37 o saco de 25kg, passou para R$ 59.” Ele calcula que o movimento caiu cerca de 30% na última semana, o que pode impactar em percentual semelhante no faturamento do mês. “Se minha venda continuar com essa baixa de 30% sob o valor bruto diário, sem dúvida será uma quebra de 25% a 30%. O que é algo absurdo para mim. Está sendo assustador. Tive que aumentar o preço dos ovos e do leite, de forma forçada. Só aumentamos o que foi realmente necessário, porque já compramos com preço mais alto.”

Diego conta que já não consegue oferecer determinados produtos, como salgados. Já quanto ao pão de sal, seu principal produto, só conseguirá oferecer até o próximo sábado. “Depois, infelizmente, não tenho mais. Antes disso, já não terei frios, salgados, cigarro e por aí vai.” O presidente do Sindipan aponta que as padarias que possuem forno a gás só conseguirão fornecer seus produtos, como o pão de sal, por mais quatro ou cinco dias. Ainda há mais um agravante para Diego em meio aos dias de greve. O empresário, que mora no Bairro Bom Pastor, Zona Sul, precisa se deslocar até a Zona Norte para tocar o negócio. Devido à falta de combustível, ele precisará tomar outras providências para estar no trabalho. “Abasteci meu carro na última quarta-feira. Tenho combustível para mais quatro dias. Após isso, terei que ficar no Bairro Santa Cruz até o dia em que der para ficar com as portas abertas.” Caso a greve prossiga durante os próximos dias, ele pensa em fechar as portas do comércio, de forma provisória. “Eu não tenho porque estar aberto sem produtos.”

Esse é o mesmo caso da padaria Lisboa, que possui quatro unidades na região Central, e que ainda tem um limite de estoque de mercadorias. Segundo a responsável pelo setor de compras, Cláudia Pereira, esse estoque deve durar até quinta-feira. Ela conta que o movimento das lojas chegou a cair 70% nos últimos dias e que precisou repassar aumentos para o consumidor final, caso dos frios, que são comprados de forma terceirizada. Já as mercadorias de produção, ela garante que não são revendidas com preço mais alto, mesmo sendo compradas com valor reajustado, caso do ovo, o que pode impactar o faturamento da empresa em 75% no mês.

Fonte: Tribuna de Minas