Empresário cria serviço de assinatura de frutas e verduras feias e deformadas

Dados de 2012 da Food and Agriculture Organization (FAO) mostram que 45% (quase metade) das frutas e verduras produzidas no mundo são jogados fora. O desperdício se espalha ao longo do processo, mas muitos são descartados no momento da distribuição, por não se encaixarem no padrão. Entre os orgânicos, o número é ainda maior. Informações do site IG.

Há quem procure reverter a lógica imposta, mostrando que estes alimentos podem, sim, ser consumidos. Na Europa, a rede de supermercados francesa Intermarché criou a campanha “Inglorious Fruits and Vegetables”, que foi um sucesso. As frutas e verduras fora do padrão são vendidas 30% mais baratas do que os produtos comuns.

Em São Paulo, o Fruta Imperfeita propõe algo semelhante. Formado em engenharia de construção, o proprietário Roberto Fumio teve a ideia do negócio em 2014, quando fez pós-graduação em gestão de negócios com foco em sustentabilidade. “Tinha muita vontade de trabalhar com produtos orgânicos, fazer algo que ajudasse os produtores”. Fumio pensou, a princípio, em montar uma loja colaborativa, mas viu que isso não ajudaria muito os produtores. Ele se deparou então, com o problema de produtos fora do padrão, que era motivo de dor de cabeça tanto para produtores orgânicos quanto produtores tradicionais. Foram meses de pesquisa de iniciativas semelhantes e contatos com produtores até que, em novembro de 2015, nasceu o Fruta Imperfeita.
Segundo Fumio, já em novembro o serviço entregou 1 tonelada de produtos e, a cada mês o número vêm dobrando. Janeiro terminou com cerca de 4 toneladas de frutas entregues. A ideia inicial é começar dentro do bairro, na zona sul de São Paulo, e estender o serviço aos poucos, entregando em um bairro a cada dia.

O serviço de assinatura conta com cerca de 500 clientes. Enquanto muitos vão atrás do negócio pela proposta de combate ao desperdício e pela conveniência da entrega em casa, o preço também é um atrativo. O quilo da fruta ou verdura sai entre R$ 2,50 e R$ 3. Fumio conta que uma ou duas pessoas se decepcionaram e acharam o produto muito feio, até por não entenderam a proposta. “Muita gente vai pelo preço, e acaba achando que você é um varejão”.

O plano é expandir cada vez mais o negócio, mas a logística ainda é um grande desafio. Há muitos produtores interessados, mas são pequenos e distantes. Os produtores com quem Fumio trabalha ficam na região de Guararema e Mogi das Cruzes e ele recolhe os produtos no Ceagesp.

Fonte: Márcio Rodrigues